Jovens denunciam superlotação e até tortura em unidades de internação

Foi com esta chamada que o Fantastico exibiu uma reportagem, neste domingo, denunciando junto com o MP  o mais repudiante desrespeito contra a dignidade humana. Adolescentes internados em fundações de atendimento socioeducativas que mais parecem depósitos de jovens sem perspectivas, sem sonhos, testando sua dignidade ou o pouco dela que ainda resta.
Jovens amontoados em celas insalubres e pequenas, enquanto a lei diz que teriam direito a dormitórios de nove metros quadrados com banheiro, mas na vida real o que vemos é o descaso e o abandono.
Quando ocorre crimes em que menores são autores ou co-autores, a sociedade se revolta e a imprensa cobra do poder público rigor na aplicação das leis, mesmo que o infrator seja apenas uma criança. Querem até mudar cláusulas pétreas de nossa Magna Carta, propondo a redução da maioridade penal alegando que não há punição para menores infratores.
Ora, como pode não haver pena, pois a maioria das crianças no Brasil já nascem penalizadas, marginalizadas, excluídas do meio social. Crianças que não tem alimentação adequada a cada fase de seu crescimento, que não tem escola de qualidade, que não tem onde morar com dignidade, não tem assistência médica e dentária, que não tem perspectiva de emprego que possa sustentar sua família. O que esperar dessas crianças?
Depois de passar por todas os tipos de misérias (muitas vezes até de afeto), o que resta é se virar com o que tem nas mãos para poder sobreviver neste mundo capitalista e hipócrita onde ao invés da sociedade clamar por mais educação para nossas crianças e adolescentes pedem apenas presídios, cárceres como forma de resolver um problema tão mais complexo do  que apenas retirar da sua porta uma criança pedindo um prato de comida ou roubando um tênis para trocar por crack.
Leis mais severas para os adolescentes enquanto políticos corruptos roubando da educação, saúde, segurança do nosso país, ou seja tirando destas crianças marginalizadas para dar à seus filhos que estudam na EUA, que tiram férias na Europa.Para estes políticos a sociedade não cobram leis mais severas!
Lei para o menor infrator já existe, pena já existe, o que não existe e o que se busca é aplicação correta (como está no ECA) para que se possa alcançar o seu objetivo que é a ressocialização, a educação destes jovens para que se tenha uma mudança de fato em seu comportamento e precisam resgatar a auto-estima perdida e mostrar que eles podem, que são capazes de crescer e alcançar seus sonhos, mesmo com todas as dificuldades e desafios que terão que enfrentar.Afianal, segundo o art. 6° da CF/88, " são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados, na forma desta Constituição." (EC n° 26/2000 e EC n° 64/2010).


Para quem não assistiu à reportagem: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1681423-15605,00-JOVENS+DENUNCIAM+SUPERLOTACAO+E+ATE+TORTURA+EM+UNIDADES+DE+INTERNACAO.html

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