Bandido bom é bandido morto!


Há pouco tempo, tive o desprazer de ouvir durante uma aula do 9º período do curso de Direito, o seguinte comentário de um professor: “Bandido bom é bandido morto...”. O susto foi tamanho que na hora não quis acreditar que poderia ser sério tal opinião, mas pasmem! Era sério.

Fiquei com a maldita frase na cabeça, comentei com alguns colegas, mas não consegui deixar por isso mesmo. Então resolvi dar minha visão sobre a desagradável opinião deste professor e de tantos alienados que, na hora, concordaram com ele.

Bem, primeiramente, achei uma irresponsabilidade um professor, uma pessoa que, querendo ou não é um formador de opiniões, plantar ideias tão retrógradas na cabeça de alunos, que na maioria das vezes estão tendo o primeiro contato com assunto.Não tenho nenhuma pretensão de dizer que o professor está certo ou errado de ter tal opinião, o que ocorre é que determinadas opiniões são melhores guardadas para si, ou então, que se abra um debate para que assim, opiniões contrárias também sejam postas em discussão.

 
Ninguém nasce mocinho ou vilão, a sociedade tem sua parcela de culpa, com exceção dos psicopatas, é claro! O que ocorre é que somos o país da punição, o Estado vira as costas para os problemas sociais e depois para dar uma resposta à sociedade, simplesmente puni o infrator sem a intenção de ressocialização. Não poderia ser diferente, pois, um país que prefere gastar mais com presídios a escolas.

Agora, um apresentador de TV sensacionalista, dizer em seu programa uma frase absurda desta já é perigoso, mas entendo que faça parte do show, pois o objetivo dele é alcançar audiência dos telespectadores. Diferentemente de um professor de Direito, que o objetivo é científico, acadêmico e tal declaração atenta contra o Estado Democrático de Direito.
 

Não sou a favor da criminalidade e nem estou fazendo nenhum tipo de apologia. O que quero dizer é que, não devemos criminalizar a POBREZA, ou seja, será que pessoas que comungam desta opinião já pararam para pensar que, se a lei fosse assim, pena de morte aos bandidos. Quem será que iria morrer? Quem mereceria morrer? _ resposta, todos os bandidos.

Então, uma pessoa que fraudar imposto de renda seria morta. Aquele jovem que saiu da balada bêbado dirigindo seu veiculo seria morto. O feirante que vende DVD pirata seria morto. Mensaleiros, então, morte na certa!

Nota-se que o julgamento para sentenciar uma pena tão radical seria impossível, pois, como penalizar uma pessoa à morte por um crime se 99,9% dos crimes são cometidos por pessoas marginalizadas. É muito fácil, pensar de forma abstrata e distante na morte de alguém como punição. Agora, vamos analisar o perfil dos criminosos em nosso país.

Na maioria das vezes são negros, pobres, sem família ou com famílias desestruturadas, sofreu ou sofre violência, passou fome ou teve uma alimentação inadequada ao seu desenvolvimento, não tem escolaridade compatível com sua idade, sem perspectiva de emprego digno. Ou seja, está pessoa já nasceu condenada.

Vamos parar de brincar de estudante de Direito!



"Enquanto as condições materiais da sociedade ficam mais complexas, suas relações sociais se tornam mais cruas." (Jacob Burckhardt)



 


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